Contabilidade para médicos, dentistas e psicólogos: como abrir PJ e economizar no IR - AML ContabilidadeAML Contabilidade

Contabilidade para médicos, dentistas e psicólogos: como abrir PJ e economizar no IR

Contabilidade para médicos, dentistas e psicólogos: como abrir PJ e economizar no IR

Contabilidade para médicos, dentistas e psicólogos: como abrir PJ e economizar no IR

WhatsApp
Facebook
LinkedIn
X
Contabilidade para médicos dentistas e psicólogos: profissional de saúde organizando documentos para abertura de PJ

Você trabalha muito, tem uma agenda cheia — e boa parte do que ganha vai para o IR

Se você é médico, dentista, psicólogo ou atua em qualquer outra profissão de saúde como pessoa física, provavelmente já sentiu isso na prática: a tabela do Imposto de Renda consome uma fatia crescente da sua renda conforme você fatura mais. Na alíquota máxima, 27,5% dos seus rendimentos vão direto para o fisco — e ainda sobram INSS e ISS para pagar em cima.

O que muitos profissionais de saúde não sabem é que existe uma alternativa completamente legal: abrir uma empresa — o que o mercado chama de “abrir PJ” (Pessoa Jurídica). Com o CNPJ certo, no regime tributário adequado ao seu perfil, é possível reduzir drasticamente a carga tributária, manter a renda líquida maior a cada mês e ainda ganhar mais credibilidade no mercado.

Neste artigo, você vai entender por que profissionais de saúde pagam tanto IR como pessoa física, como a abertura de PJ muda esse cenário com exemplos numéricos reais, quais são as melhores estruturas jurídicas e regimes tributários para o seu perfil, e o que você precisa fazer para dar esse passo com segurança.

Por que profissionais de saúde pagam tanto IR como pessoa física

Quando você atua como pessoa física — seja atendendo pacientes no consultório, fazendo plantões ou prestando serviços para clínicas e hospitais — seus rendimentos são tributados pela tabela progressiva do IRPF (Imposto de Renda da Pessoa Física). Quanto mais você ganha, maior é a alíquota que incide sobre a sua renda.

As faixas vigentes em 2026 são:

Base de cálculo mensalAlíquotaDedução
Até R$ 2.428,80Isento
De R$ 2.428,81 até R$ 2.826,657,5%R$ 182,16
De R$ 2.826,66 até R$ 3.751,0515%R$ 394,16
De R$ 3.751,06 até R$ 4.664,6822,5%R$ 675,49
Acima de R$ 4.664,6827,5%R$ 908,73

A Lei nº 15.270/2025 introduziu uma tabela de redução progressiva que beneficia rendimentos até R$ 7.350/mês. Para quem ganha até R$ 5.000/mês, o imposto cai a zero pela regra de redução. Acima de R$ 7.350/mês, aplica-se a tabela progressiva sem redução.

Na prática, um médico, dentista ou psicólogo com rendimentos mensais acima de R$ 7.350 está sujeito à alíquota máxima de 27,5% sobre a parcela excedente. E além do IR, o profissional autônomo ainda paga:

  • INSS como contribuinte individual: alíquota de 20% sobre o salário de contribuição, para garantir benefícios previdenciários
  • ISS: cobrado pelo município, geralmente de 2% a 5% sobre os honorários recebidos
  • Carnê-Leão: mecanismo pelo qual o autônomo apura e recolhe mensalmente o IRPF sobre os rendimentos recebidos de pessoas físicas

Somando IR (27,5% na faixa máxima), INSS e ISS, é possível que um profissional de saúde com renda mensal acima de R$ 10.000 pague 40% a 45% da sua receita em tributos como pessoa física.

Como a abertura de PJ muda esse cenário

Ao abrir um CNPJ e passar a prestar serviços como pessoa jurídica, o profissional sai da tabela progressiva do IRPF e passa a recolher impostos pelo regime tributário da empresa — que, em muitos casos, resulta em uma carga tributária radicalmente menor.

Psicóloga com faturamento de R$ 10.000/mês

Como pessoa física: IRPF de aproximadamente R$ 1.841, INSS autônomo de R$ 908 e ISS de R$ 300 — total de cerca de R$ 3.050/mês, com renda líquida de R$ 6.950.

Como PJ no Simples Nacional (Anexo III, alíquota de 6%): DAS de R$ 600 e INSS sobre pró-labore mínimo de R$ 300 — total de cerca de R$ 900/mês, com renda líquida de R$ 9.100. Economia mensal estimada: R$ 2.150.

Médico com faturamento de R$ 25.000/mês

Como pessoa física: IRPF de aproximadamente R$ 5.966, INSS de R$ 908 e ISS de R$ 750 — total de cerca de R$ 7.625/mês, com renda líquida de R$ 17.375.

Como PJ no Simples Nacional (Anexo III, alíquota efetiva de ~8,5%): DAS de R$ 2.125 e INSS sobre pró-labore de R$ 300 — total de cerca de R$ 2.425/mês, com renda líquida de R$ 22.575. Economia mensal estimada: R$ 5.150.

Os exemplos são aproximações para ilustrar a diferença entre os regimes. Os valores exatos dependem das deduções do IRPF, do CNAE da empresa, do regime tributário escolhido e da estrutura de pró-labore. Um contador deve calcular o cenário real para cada profissional.

Qual o melhor formato jurídico para profissionais de saúde

SLU — Sociedade Limitada Unipessoal

A SLU é o formato mais comum para profissionais de saúde que trabalham sozinhos. Permite que uma única pessoa abra uma empresa sem precisar de sócios, com a responsabilidade limitada ao capital social — o que protege o patrimônio pessoal em regra. É a opção mais prática e mais recomendada para médicos, dentistas e psicólogos que prestam serviços de forma individual. O registro é feito na Junta Comercial do estado.

Sociedade Simples

A Sociedade Simples é o formato previsto no Código Civil para profissionais liberais que exercem atividades intelectuais e científicas — categorias que incluem médicos, dentistas, psicólogos e fisioterapeutas. Pode ser constituída por um único profissional ou por dois ou mais da mesma área. O registro é feito em Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas, não na Junta Comercial.

Sociedade Limitada (LTDA)

A LTDA com dois sócios é uma opção para profissionais que querem constituir a empresa em conjunto com um parceiro. Permite dividir participações societárias, o que pode ser usado estrategicamente para distribuir rendimentos entre sócios. A constituição de sociedade entre cônjuges exige análise do regime de bens do casamento e avaliação jurídica e contábil antes de adotar esse modelo.

Para a maioria dos profissionais de saúde que trabalham individualmente, a SLU é a recomendação mais comum pela simplicidade e proteção patrimonial. A escolha ideal depende da atividade, do CNAE, do município de atuação e deve ser feita com suporte de um contador especializado.

Qual regime tributário é mais indicado

Simples Nacional

O Simples Nacional é o regime mais comum para profissionais de saúde com faturamento mensal de até R$ 30.000 a R$ 40.000. Para esse público, o enquadramento correto depende do CNAE e do Fator R.

A maioria das atividades de saúde no Simples está sujeita ao Fator R — o que significa que a empresa pode ser tributada pelo Anexo III (alíquotas a partir de 6%) ou pelo Anexo V (alíquotas a partir de 15,5%), dependendo do cálculo:

Fator R = (Folha de pagamento + Pró-labore dos últimos 12 meses) ÷ Receita bruta dos últimos 12 meses

Se o Fator R for igual ou superior a 28%, a empresa é tributada pelo Anexo III. Se for inferior, pelo Anexo V. Para profissionais sem funcionários que só têm o próprio pró-labore na folha, é mais difícil atingir 28% — especialmente com faturamentos mais altos.

Referência de alíquotas por faixa de faturamento:

FaixaReceita bruta em 12 mesesAlíquota nominal Anexo IIIAlíquota nominal Anexo V
Até R$ 180 mil6,00%15,50%
De R$ 180.001 a R$ 360 mil11,20%18,00%
De R$ 360.001 a R$ 720 mil13,50%19,50%
De R$ 720.001 a R$ 1,8 mi16,00%20,50%
De R$ 1,8 mi a R$ 3,6 mi21,00%23,00%
De R$ 3,6 mi a R$ 4,8 mi33,00%30,50%

Lucro Presumido

O Lucro Presumido pode ser mais vantajoso quando a empresa está na 4ª, 5ª ou 6ª faixa do Simples (faturamento acima de R$ 720 mil/ano ou R$ 60 mil/mês) — especialmente se estiver no Anexo V. Para profissionais de saúde, a presunção padrão é de 32% do faturamento, com carga efetiva em torno de 13,33% a 16,33%.

A escolha deve ser simulada numericamente pelo contador com os dados reais da empresa.

Como funciona a distribuição de lucros isenta de IR

Uma das maiores vantagens de atuar como PJ na área da saúde é retirar a maior parte da renda mensal como distribuição de lucros — e não como pró-labore.

Pró-labore é o salário do sócio pela sua atuação na empresa. Sobre ele incidem INSS e IRPF (tabela progressiva). Para manter a cobertura do INSS, o sócio precisa se pagar ao menos o salário mínimo como pró-labore.

Distribuição de lucros é a retirada dos resultados positivos da empresa pelos sócios. De acordo com a Lei nº 9.249/1995 e a Lei nº 15.270/2025, a distribuição de lucros é isenta de IR até o limite de R$ 50.000 por mês por empresa. Acima desse limite, incide 10% de IR retido na fonte.

Exemplo concreto de uma dentista com faturamento de R$ 20.000/mês:

  • Impostos da empresa (Simples Nacional, Anexo III, ~7%): R$ 1.400
  • Pró-labore definido: R$ 1.518 (salário mínimo)
  • INSS sobre pró-labore: R$ 182
  • Distribuição de lucros: ~R$ 17.000 — isenta de IR
  • Total de tributos: ~R$ 1.582/mês
  • Renda líquida: ~R$ 18.418

A mesma dentista como pessoa física com R$ 20.000/mês pagaria aproximadamente R$ 4.300 só entre IR, INSS e ISS.

Para que a isenção seja válida, a empresa precisa manter escrituração contábil regular com Balanço Patrimonial assinado pelo contador, estar com todos os tributos federais em dia e respeitar o limite de R$ 50.000/mês por empresa para cada sócio.

O que é preciso para abrir o PJ — passo a passo simplificado

1. Regularizar o registro no Conselho de Classe

Antes de abrir o CNPJ, o profissional precisa ter o registro ativo no conselho correspondente: CRM (médicos), CRO (dentistas), CRP (psicólogos) ou CREFITO (fisioterapeutas). O CNPJ da empresa também precisará de registro no conselho após a abertura.

2. Definir a natureza jurídica

A escolha mais comum é a SLU para quem trabalha sozinho. O contador vai orientar qual formato é mais adequado ao seu perfil.

3. Definir o CNAE correto

O CNAE errado pode levar ao enquadramento tributário incorreto ou ao pagamento de mais impostos. Alguns CNAEs relevantes: médicos (8630-5/01), dentistas (8630-5/04), psicólogos (8650-0/05) e fisioterapeutas (8650-0/01). A definição deve ser feita em conjunto com o contador.

4. Escolher o regime tributário

Com base no faturamento esperado, estrutura de custos e projeção de crescimento, o contador definirá se o Simples Nacional ou o Lucro Presumido é mais vantajoso.

5. Registrar a empresa

SLU e LTDA são registradas na Junta Comercial. Sociedade Simples, no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas.

6. Obter alvarás e licenças municipais

Dependendo da atividade, pode ser necessário alvará da prefeitura, licença da Vigilância Sanitária e do Corpo de Bombeiros.

7. Registrar o CNPJ no Conselho de Classe

Médicos, dentistas e psicólogos precisam registrar a empresa no respectivo Conselho Regional após a abertura.

8. Abrir conta PJ e emitir Nota Fiscal

Com o CNPJ ativo, abra uma conta PJ para separar as finanças pessoais das profissionais e solicite a autorização para emissão de Nota Fiscal de Serviços (NFS-e) na prefeitura.

Erros comuns que profissionais de saúde cometem ao abrir PJ

Escolher o CNAE errado: pode levar ao enquadramento em um Anexo mais caro do Simples Nacional ou à impossibilidade de usar o Fator R.

Não calcular o Fator R mensalmente: o Fator R não é fixo. Ignorar o acompanhamento pode fazer a empresa pagar alíquotas do Anexo V quando poderia estar no Anexo III — uma diferença de R$ 500 a R$ 2.000 a mais por mês.

Misturar finanças pessoais e da empresa: comprometer a escrituração contábil pode gerar problemas na hora de comprovar o lucro para distribuição isenta.

Distribuir lucros sem escrituração contábil: sem Balanço Patrimonial assinado, a distribuição de lucros acima da margem presumida pode ser questionada pelo fisco e tributada como pró-labore.

Não registrar o CNPJ no Conselho de Classe: operar sem esse registro pode gerar problemas com o Conselho e com a emissão de notas fiscais.

Escolher o regime tributário sem simulação: muitos profissionais optam pelo Simples por ser “mais simples” sem verificar se o Lucro Presumido seria mais vantajoso. A diferença pode representar milhares de reais por ano.

Retirar tudo como pró-labore: ao concentrar toda a remuneração no pró-labore, o profissional paga INSS e IRPF sobre o valor total — perdendo a vantagem da distribuição de lucros isenta.

Abrir PJ sem substância real: a relação entre o profissional PJ e a clínica ou hospital contratante deve ter autonomia real na prestação do serviço. Se a Receita Federal identificar vínculos que caracterizem relação de emprego disfarçada, podem ser cobrados todos os encargos trabalhistas retroativamente.

A economia pode chegar a dezenas de milhares de reais por ano

Médicos, dentistas, psicólogos e demais profissionais de saúde que atuam como pessoa física estão, na maioria dos casos, pagando muito mais imposto do que precisariam. A abertura de PJ, com o regime tributário correto e o planejamento de distribuição de lucros bem feito, pode representar uma economia de R$ 2.000 a R$ 5.000 ou mais por mês para profissionais com faturamentos médios da área.

A AML Contabilidade oferece atendimento 100% digital, com contadores que conhecem as particularidades tributárias da área médica — incluindo Fator R, registros nos Conselhos de Classe e as novas regras de tributação de lucros vigentes em 2026. Para profissionais que precisam de endereço comercial para registrar o CNPJ sem locar um espaço físico, a AML oferece sede virtual gratuita para clientes do setor de serviços. E para facilitar a separação das finanças, a AML disponibiliza conta digital PJ gratuita via Cora, sem mensalidade.

Se você ainda não abriu o CNPJ e quer entender quanto pode economizar — ou se já tem PJ e suspeita que pode estar pagando impostos a mais — a AML pode ajudar você a simular os cenários e fazer a escolha certa.

👉 Entre em contato com a AML Contabilidade